Essa é uma das perguntas que mais recebemos. E ela faz sentido!
Sempre que o Brasil fala em Reforma Tributária, o pequeno empreendedor entra em alerta:
“Vou pagar mais imposto?”
“Meu regime vai acabar?”
“O Simples Nacional vai acabar?”
“Vou sair do Simples?”
Vamos ser claros.
O Simples Nacional vai acabar?
Não. O Simples Nacional não foi extinto pela Reforma Tributária.
A Emenda Constitucional nº 132 manteve o regime diferenciado para micro e pequenas empresas.
Mas… isso não significa que nada muda.
E é aqui que mora o ponto estratégico.

O que muda para quem está no Simples?
A Reforma cria dois novos tributos sobre consumo:
- CBS (federal)
- IBS (estadual e municipal)
Empresas do Simples poderão escolher entre dois modelos:
1️⃣ Permanecer no modelo tradicional do Simples
Continuar recolhendo imposto via DAS, com alíquota unificada.
2️⃣ Optar pelo modelo “por fora” (CBS + IBS destacados)
Nesse caso:
- A empresa recolhe CBS e IBS separadamente
- Pode gerar crédito tributário para seus clientes
Esse ponto é extremamente importante.
Empresas que vendem para outras empresas (B2B) podem sofrer pressão para migrar, já que clientes podem preferir fornecedores que gerem crédito.
O que continua igual?
- O regime simplificado continua existindo
- O limite de faturamento permanece (até nova lei complementar)
- O tratamento favorecido para pequenas empresas foi mantido na Constituição
Ou seja: o Simples não acabou.
Mas ele passa a conviver com um sistema mais técnico.
O que ainda depende de regulamentação?
A Reforma foi promulgada, mas muitos detalhes dependem de Lei Complementar, como:
- Alíquota final da CBS e do IBS
- Regras exatas de creditamento
- Forma operacional do modelo híbrido
- Impacto real para cada setor
Isso significa que ainda haverá ajustes até 2026, quando começa a fase de testes.
A grande verdade que poucos estão falando
A pergunta não é se o Simples vai acabar.
A pergunta é: Seu negócio conhece sua margem real?
Porque com um sistema mais transparente e técnico:
- Empresas com margem apertada podem sentir impacto
- Negócios que não controlam fluxo de caixa podem errar precificação
- Quem não entende seus custos pode absorver imposto sem perceber
O novo modelo aumenta a necessidade de organização financeira. E isso é estrutural.
Quem pode ser mais impactado?
- Empresas que vendem para outras empresas
- Negócios com ticket alto
- Prestadores de serviço com baixa margem
- Comerciantes que não revisam preços periodicamente
Já empresas organizadas, que conhecem seus números, tendem a atravessar a transição com mais segurança.
Linha do tempo importante
- 2026 → início da fase de testes da CBS
- 2027 → início da cobrança efetiva
- 2029 a 2032 → redução gradual de ICMS e ISS
- 2033 → novo sistema totalmente implementado
Até lá, teremos um modelo híbrido.
E modelos híbridos exigem atenção redobrada.
De forma clara e objetiva:
O Simples Nacional não acabou. Mas o ambiente tributário ficou mais sofisticado.
A Reforma Tributária não elimina o pequeno empresário.
Ela exige mais preparo.
Empresas que operam apenas olhando faturamento bruto podem ter surpresas.
Empresas que entendem margem, fluxo de caixa e estrutura financeira terão vantagem competitiva.
No CPay Lab, seguimos acompanhando cada atualização para traduzir a complexidade em clareza para o empreendedor.
